Marilia de Dirceo

Marilia de Dirceo

Frontispício da edição de 1824

Apesar de Marilia de Dirceo ser considerado um dos mais belos livros de poesia de amor da língua portuguesa, o seu autor, Thomaz Antonio Gonzaga (Dirceo), nunca casou com a sua amada Marilia. Gonzaga nasceu no Porto em 1744, viveu a sua infância entre o Recife e a Bahia, estudou leis na Universidade de Coimbra, tendo sido colocado como ouvidor em Vila Rica [actualmente Ouro Preto, em Minas Gerais no Brasil] em 1782. Aí conheceu e se apaixonou por Maria Dorothea Joachina de Seixas (Marilia), nascida em 1767 de quem chegou a estar noivo. O casamento não se concretizou, pois Gonzaga foi condenado ao degredo em África pela sua participação na Inconfidência Mineira. Após 3 anos na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, onde terá escrito a maioria do poema, foi exilado em Moçambique no mesmo ano em que se publicou a sua célebre obra. Em Vila Rica não mais se soube dele, tendo Marilia ficado solteira até à sua morte com 86 anos. Thomaz Antonio Gonzaga no entanto casou-se em Moçambique com Juliana de Souza Mascarenhas, a rica herdeira de um abastado comerciante de escravos e teve dois filhos, tendo falecido em 1810. Terá ele esquecido a sua paixão?

A 1.ª edição do livro, publicada em Lisboa, na Typografia Nunesiana, em 1792 é hoje uma raridade bibliográfica em ambos os lados do Atlântico e é um dos livros da nossa língua com maior número de edições, tendo sido reeditado consecutivamente, tanto durante a vida do autor como após a sua morte.