Processo dos Thugs estranguladores – 3266 accusados

Os Thugs eram criminosos, que se organizavam de forma a acompanharem os viajantes das caravanas que cruzavam a Índia, com o intuito de ganhar a sua confiança, para depois os assassinarem e roubarem. Apesar de professarem diferentes religiões, (hindus, muçulmanos e sikhs), todos prestavam culto a Khali, a deusa da morte. Pensa-se que terão actuado durante cerca de 600 anos, passando o modus operandi de geração em geração e assassinado centenas ou mesmo milhares de pessoas. Actuando em toda a Índia, juntavam-se às caravanas, por vezes durante meses, até ganharem a confiança do viajantes, e depois conhecendo a região, sugeriam locais isolados onde os estrangulavam com um lenço tido por sagrado, fazendo de seguida desaparecer os corpos para que não ficassem provas. Muitas vezes tomavam conta dos filhos pequenos das vítimas para que crescessem como Thugs. A centralização da administração britânica juntou várias queixas de desaparecimento de caravanas e acabou por os desmascarar e julgar, tendo até criado uma polícia especial chamada “Thuggee and Dacoity Departments”. O processo impressionou a opinião pública da época, muito especialmente no Reino Unido, tendo a palavra thuggee ficado na língua inglesa como sinónimo de bandido ou desordeiro. A «Bibliotheca do Diario  de Noticias» publicou em 1866 este curioso livro, que relata o processo dos Thugs Estranguladores, julgado no «Supremo Tribunal de Calcuttá e Madrasta». Ao longo de 286 interessantes páginas vai-se seguindo a acusação, a defesa, com passagens autobiográficas dos chefes thugs, a sentença e finalmente o relato da execução dos condenados. «Ao longe, no horisonte as coroas de fogo da iluminação da cidade são reflectidas pelas aguas sagradas, e a sociedade europea festeja o justo castigo dos impios sectarios da fabulosa Kaly»

Processo-dos Thugs estranguladores

Marilia de Dirceo

Marilia de Dirceo

Frontispício da edição de 1824

Apesar de Marilia de Dirceo ser considerado um dos mais belos livros de poesia de amor da língua portuguesa, o seu autor, Thomaz Antonio Gonzaga (Dirceo), nunca casou com a sua amada Marilia. Gonzaga nasceu no Porto em 1744, viveu a sua infância entre o Recife e a Bahia, estudou leis na Universidade de Coimbra, tendo sido colocado como ouvidor em Vila Rica [actualmente Ouro Preto, em Minas Gerais no Brasil] em 1782. Aí conheceu e se apaixonou por Maria Dorothea Joachina de Seixas (Marilia), nascida em 1767 de quem chegou a estar noivo. O casamento não se concretizou, pois Gonzaga foi condenado ao degredo em África pela sua participação na Inconfidência Mineira. Após 3 anos na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, onde terá escrito a maioria do poema, foi exilado em Moçambique no mesmo ano em que se publicou a sua célebre obra. Em Vila Rica não mais se soube dele, tendo Marilia ficado solteira até à sua morte com 86 anos. Thomaz Antonio Gonzaga no entanto casou-se em Moçambique com Juliana de Souza Mascarenhas, a rica herdeira de um abastado comerciante de escravos e teve dois filhos, tendo falecido em 1810. Terá ele esquecido a sua paixão?

A 1.ª edição do livro, publicada em Lisboa, na Typografia Nunesiana, em 1792 é hoje uma raridade bibliográfica em ambos os lados do Atlântico e é um dos livros da nossa língua com maior número de edições, tendo sido reeditado consecutivamente, tanto durante a vida do autor como após a sua morte.

Alfarrábio – Alfarrabista

As palavras portuguesas alfarrábio e alfarrabista tem uma origem curiosa. Elas derivam do grande filósofo persa Abu-Nasr Mohammed ben-Mohammed [ben-Tarkhân], originário de Farâb, (pensa-se que actualmente no Cazaquistão). Como ele era tratado pelo nome da sua cidade natal, (Existem vários locais com o mesmo nome em países diferentes), ficou conhecido na história como Al-Farabi, da qual a palavra alfarrábio é apenas uma adaptação, já que o seu nome em latim medieval é Alpharabius.

Al-Farabi nasceu aproximadamente no ano de 872 e morreu em Damasco no ano de 950. Foi médico, matemático, filósofo e músico. Estudou em Bagdade e Harran e viveu na Síria e no Egipto, tendo-se estabelecido na corte do soberano de Alepo, Saif al-Daoula.
Entre os árabes é conhecido como o segundo Mestre (depois de Aristóteles) e a sua filosofia foi muito importante na Idade Média pois tentou a conciliar o pensamento de Platão e Aristóteles, ainda que tenha considerado as revelações do Alcorão e Deus. Al-Farabi considerava que as duas linhas de pensamento não eram opostas mas sim complementares.
Escreveu também obras sobre ciência política e música.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra alfarrábio significa: livro antigo ou velho, de pouca ou nenhuma importância; livro velho ou há muito editado, que tem valor por ser antigo.
Já alfarrabista é: Aquele que compra e vende alfarrábios; que colecciona, lê ou consulta alfarrábios; local onde se vendem alfarrábios, antiquário de livros, sebo (esta última palavra é utilizada no Brasil para designar um alfarrabista).