Bibliófilo: "Traduzindo à letra, um bibliófilo (do Grego biblion, livro, e philos, amigo) é um amante de livros. E é de propósito que utilizo a definição dada por Morais [Dicionário da Lingua Portuguesa]. É que o substanctivo amante explica muito mais o bibliófilo do que o adjectivo amigo. Conheço muitos bibliomaníacos, com verdadeiras e colossais bibliotecas, mesmo com alguma raridades, para quem o livro constitui apenas um divertimento ou um investimento, Compram livros como quem compra laranjas, pelo aspecto e pelo peso (o que, no caso do livro, se pode representar pela encadernação e data da edição). Ora o bibliófilo não é apenas aquele que tem livros do século XV e XVI, ou de outras épocas recuadas. Para os ter, basta possuir dinheiro (conheço muitos bibliomaníacos com verdadeiras fortunas em livros, que deles não tiram qualquer proveito, pois nem sequer os sabem ler, ou têm tempo para os catalogar e arrumar. Contudo, ajudam a preservar o património). Pode-se até ser bibliófilo sem possuir nenhum livro dos séculos anteriores ao nosso. O que é então necessário para se ser bibliófilo? É necessário amor, carinho e estudo pelo livro que se comprou, seja ele a primeira edição de Os Lusíadas (1572) ou a Mensagem (1934), só para dar dois exemplos, entre os maiores, da nossa poesia."

[in, Iniciação à Bibliofilia - João José Alves Dias, Pró-Associação Portuguesa de Alfarrabistas, 2ª Feira do Livro Antigo, MCMXCIV]

Livraria Fernando Santos Alfarrabista 2004

Todos os direitos reservados